O autor Jairo Pereira apresenta o seu primeiro livro – com lançamento programado para fevereiro pela Global Editora. Afagos e afins é uma obra potente, delicada e que reflete suas vivências pessoais, através de textos poéticos. O artivista – como gosta de ser descrito – também é responsável por uma trajetória artística de fôlego nos campos da música, poesia, teatro, arte visual e audiovisual, no Brasil ou exterior.
Afagos e Afins é o meu primeiro livro, mas não é um começo. É a continuidade de uma vida inteira atravessada pela palavra. Escrevo desde muito cedo. Aos 13 anos, escrevia pra mim, em silêncio. Aos 16 e 17, a palavra ganhou corpo, ritmo e voz através do rap — como diversão, como desabafo, como enfrentamento ao racismo e a todas as formas de opressão que tentam nos silenciar, nos invisibilizar e deslegitimar nossas existências.
Minha escrita nasce da oralidade. Eu sou ator, cantor, artista de palco. Penso escrevendo como quem fala, canta, respira. Sempre entendi a palavra como encontro. Em 2004, comecei a tornar isso público com o blog “O pretinho que contava as estrelas”. Depois vieram as redes sociais, os vídeos-poema, o Alpiste de Gente, que virou canal, virou espetáculo, virou caminho. A palavra sempre me acompanhou — dita, cantada, performada.

Minhas referências vêm do samba, do rap nacional, da MPB e da literatura. Eu li livros, mas também li encartes de discos, decorei letras de canções, recitei versos com melodia própria. A música é fundamento do meu método: ritmo, cadência, respiração. Minha poesia dialoga com os griots, os contadores de histórias, os seresteiros, trovadores, sambistas, repentistas e rappers — gente que mantém viva a memória, o afeto e a possibilidade de transformação através da palavra.
Ao longo desses anos, construí também uma trajetória musical sólida. Fiz parte da banda Aláfia por 15 anos, além do projeto Afrodisiakos. Somando tudo, são 13 álbuns lançados, sendo 6 autorais. Hoje sigo com projetos como “Jairo Canta Wando”, meu solo teatral Afagos e Afins, e meu show autoral, onde reúno música, poesia e cena. Também integro o elenco do musical “Hip Hop Hamlet”, recentemente em cartaz no Teatro YouTube.
Este livro reúne 173 poemas, escolhidos por mim entre uma obra muito maior, com outras centenas de textos escritos ao longo de mais de 20 anos. Aqui estão minhas perdas, meus amores, minhas revoltas, meus afetos, meus ódios profundos, minhas conquistas improváveis, o nascimento das minhas filhas e a crença na arte como caminho de cura, troca, diálogo, luta e revolução.

Tenho muita felicidade e gratidão por lançar meu primeiro livro pela Global Editora, que me convidou e abriu suas portas pra mim. Estar numa casa que publica autores como Sérgio Vaz, Elizandra Souza, entre tantos nomes fundamentais, é uma honra imensa e um reconhecimento do trabalho que venho construindo ao longo desses anos.
O texto da quarta capa é do Renato Nogueira, e me emociona profundamente. Ele diz que minha poesia nasce do ritmo das batidas do peito, que pede às palavras que sejam bálsamo para as feridas, e que os afetos entram em cena para lembrar que podemos fazer um novo dia, todos os dias. É isso.
A capa do livro, criada por Maurício Negro, traz o ontem e o hoje: o menino que começou a escrever e o homem que segue fiel à sua arte e ao seu ofício, entre sonho e vida real. Me reconheço ali.
Nas redes sociais, sigo fazendo o que sempre fiz: compartilho poesias, reflexões, canto, indico outros artistas, falo dos meus ideais e divulgo meus trabalhos. Hoje são 146 mil pessoas comigo no Instagram, 37 mil no TikTok e cerca de 12 mil ouvintes mensais no Spotify. Só nos últimos 30 dias, alcancei quase 20 mil pessoas, com alto engajamento orgânico. Vejo esse espaço como extensão do palco, da roda e do encontro.
Nada disso seria possível sem o apoio, o amor e a sustentação da minha família, e também sem os amores que passaram pela minha vida, os que chegaram, os que partiram, e os que seguem comigo, os que permanecem. É nesse afeto — que atravessa o tempo e se transforma — que encontro chão, escuta, abrigo e força para seguir. Esse livro também nasce desse cuidado, desse amor e dessas presenças que me acompanham e me constituem.
Afagos e Afins é palavra viva. Um território de memória, afeto e resistência. Um convite para sentir junto, cair, levantar, respirar fundo e seguir de cabeça erguida.









